sábado, 5 de julho de 2008
CAP 1: Você sabe e deveria estar feliz.
AUGUSTO: São três horas da manhã, você me liga. Pra falar coisas que só a gente entende. São três horas da manhã, você me chama. Com seu papo poesia me transcende
VIOLETA: Oh meu amor. Isso é amor. Oh meu amor. Isso é amor. É amor... é amor...
AUGUSTO:Sua voz está tão longe ao telefone. Fale alto mesmo grite não se importe. Pra quem ama a distância não é lance. Nossa onda de amor não há quem corte
VIOLETA: Oh meu amor. Isso é amor. Oh meu amor. Isso é amor. É amor... é amor...
AUGUSTO: Pode ser de São Paulo a Nova York. Ou tão lindo flutuando em nosso Rio. Ou tão longe mambeando o mar Caribe. A nossa onde de amor não há quem corte.
VIOLETA: Oh meu amor. Isso é amor. Oh meu amor. Isso é amor. É amor... é amor... Tá ficando legal né Guto! Logo logo vamos cantar e fazer o maior sucesso que nem a Gang 90.
AUGUSTO: Pra você ver a que ponto chegamos! Um cabra macho feito eu, plena era 43 d.L., consciente da Revolution: (Don’t you know it’s gonna be. Alright! Alright! Alright!), cantando essas coisas parecendo muito mais com Jane e Herondy – Não se váááááááááá! É o fim dos tempos!
VIOLETA: Já disse pra voce parar com essas mania de endeusar o John Lennon. Deus é um só, Tripartido e vemos suas faces segundo nosso merecimento. Você parece que não reza. Já falei pra você parar com essa coisa de ser ateu. Credo em cruz Ave Maria!
AUGUSTO: Mas eu não sou ateu Vi! Eu só acho que Deus deve ser mais engajado no mundo em que ele criou. Voce fala isso do John porque você gosta do macio do Paul McCartney. E... Violeta interrompe.
VIOLETA: O Paul não é macio! Ele é lindo e o mentor muscal dos Beatles. Esquerdóide que nem o Lennon havia aos milhares nos anos 60. O Lennon é genial sim, mas teve a sorte de cair na banda do Paul... deixa pra lá vai voce é insensível!
AUGUSTO: O meu pensamento disse pra você por diversas vezes. Acredito em Deus por ser uma afirmaçao racional e prática. Ora, se Deus não existir e eu nao crer nele, nao me ocorrerá nada de mal; mas se ele existir e eu nao crer... vou pro inferno! Entao por definiçao devo crer nele para nao correr riscos!
VIOLETA: Vamos deixar isso pra lá senão a gente briga de novo. Voce vai no Porão final de semana? Fica sabendo desde já que Angela vai.
AUGUSTO: Agora sou eu quem digo vamos deixar isso pra lá senão a gente briga de novo. Ela é sua irmã, minha ex e é normal voce defender ela. Sem mais?
VIOLETA: Você sabe que eu torço pra vocês dois. Olha o tanto de risco que eu corri pra acobertar vocês dois. Nao seja radical Guto!
AUGUSTO: Meu bem. Somos amigos desde criança, estudo com voce a séculos, aprecio muito a sua amizade e adoro ir com voce pra escola; mas deixa esse negócio da sua irmã pra eu tomar minhas decisões por mim mesmo.
VIOLETA: Mas aquele cara lá que voce viu com ela nao tem nada a ver. Ele é apaixonado por ela e fica mandando flores, ela gosta é de você e sempre cortou ele. Ela te ama!
AUGUSTO: Você estudou pra prova de matemática? Eu estudei mais ou menos acho que dá pra me garantir!
VIOLETA: Não desconversa Guto. Já dizia o velho Paul: You Think You´Ve Lost Your Love
AUGUSTO: Foi o Lennon quem disse: Well I Saw Her Yesterday
VIOLETA: O Paul é mais sensível: It´S You She´S Thinking Of
AUGUSTO: Ai, ai ai: And She Told Me What To Say
Os dois se abraçam em meio de altas gargalhadas reconhecendo o absurdo da discussão na porta da escola apertando o passo.
domingo, 24 de fevereiro de 2008
Sobre a disposição cultural para a barbárie.
Os caminhos que nossa sociedade ruma são muito questionados nos dias atuais. No século XVIII, os iluministas ditavam que o fim último do desenvolvimento cultural seria o controle da natureza em nome da emancipação humana; tal feito secularizaria as ciências e faria do homem senhor absoluto entre as potestades naturais. O decrépito século XX e o impúbere século XXI questionam a eficácia do projeto iluminista, eventos que poderíamos chamar de conseqüências irreversíveis que duas guerras mundiais sugerem em um mundo globalizado.
Qual a razão em questionar o desenvolvimento tecnológico? Acredito que seja porque ele cria uma nova forma de limitação para o ser humano que já não é mais as intempéries naturais. Quem domina melhor a natureza ganha o direito de dominação, que outrora era dessa natureza que agora está sob controle, em relação ao outro que estaria de qualquer forma limitado, quer pela natureza quer pelo dominador da natureza e agora dele também. Talvez seja essa a motivação de Hobbes para o “Homo homini lupus”. Enfim, o aumento de capacidade de ação do homem para com os revezes naturais, em vez de eliminar um imperativo restritivo, apenas acresceu mais um.
Longe de esgotar as razões que incentivaram o homem a duvidar do progresso tecnológico, penso que esse esboço de justificativa orienta suficientemente o propósito textual. Um amigo enviou-me, recentemente, algumas das reflexões do anarco-primitivista John Zerzan. Tive contato com algumas de suas considerações sobre a civilização, elas apontam a formação da cultura simbólica, da linguagem, das artes e do número como mediações que nos distanciam da realidade como ela é. Em vez de emanciparem o ser humano, como queriam os iluministas com seus direitos inalienáveis, elas propiciam a gênese de uma cultura tecnológica que culminaria, necessariamente, nas barbáries que o século XX apenas começou a protagonizar.
Em sua obra “Futuro Primitivo” de 1994, uma das possibilidades a serem pensadas como alternativa para inverter essa lógica que o advento da cultura simbólica pressupõe, indica para o que chama de retorno aos ideais das comunidades primitivas. Tal definição retoma alguns dos valores que a humanidade viveu nas primeiras sociedades, como as divisões de alimentos e a sexual do trabalho. O fato dos homens caçarem e das mulheres coletarem os alimentos vegetais, não dava uma supremacia masculina em relação ao trabalho, como nas sociedades modernas, pois a mulher não dependia do homem para sobreviver, seu sustento já estava garantido com o trabalho que realizava. Uma sociedade que retome esses valores das comunidades antigas é o que defende Zerzan como uma possibilidade de reação ao distanciamento do ser humano para com a natureza.
Dessas opiniões tenho que destacar alguns aspectos importantes:
1- A idéia de que o que é novo não é necessariamente melhor;
2- Enxergar a cultura simbólica (ocidental) como instrumento de dominação do homem pelo homem;
3- Atribuir importância da divisão sexual do trabalho como fator desagregador.
Ver a sociedade como fruto de uma idéia que visa o lucro, mesmo que seja por cima de valores humanos, sintetiza a tríade acima mencionada. Entender e tentar sistematizar uma ação com esses referenciais epistemológicos, já é um grande empreendimento que poucos tem a audácia de ousar. Contudo, acredito que existem algumas problemáticas que essa posição suscita. O que determina o primitivismo? O ideal primitivista ou o abandono estrutural do desenvolvimento tecnológico? Abandono as técnicas da medicina que fazem com que meu pai melhore cada dia mais de sua enfermidade em nome de uma “era de ouro” primitivista? Se a cultura é um instrumento que aliena o homem, ela não pode ser usada de forma “invertida”, ou seja, para “humanizá-lo” com a mudança de uso de tal instrumento? Essas questões e outras de mesmo caráter são de vital importância para o desenvolvimento dessa singular teoria de John Zerzan.
Para fins concludentes, vou me apegar ao velho sábio grego Aristóteles. Em Ética a Nicômacos 4º edição Brasília UNB 2001 página 42, o filósofo coloca as estratégias para a busca da virtude nas ações:
“Estou falando da excelência moral, pois é esta que se relaciona com as emoções e ações, e nestas há excesso, falta e meio termo. Por exemplo, pode-se sentir medo, confiança, desejos, cólera, piedade, e, de um modo geral, prazer e sofrimento, demais ou muito pouco, e, em ambos os casos, isto não é bom: mas experimentar estes sentimentos no momento certo, em relação aos objetos certos e às pessoas certas, e de maneira certa, é o meio termo e o melhor, e isto é característico da excelência. Há também, da mesma forma, excesso, falta e meio termo em relação às ações. Ora, a excelência moral se relaciona com as emoções e as ações, nas quais o excesso é uma forma de erro, tanto quanto a falta, enquanto o meio termo é louvado como um acerto; ser louvado e estar certo são características da excelência moral. A excelência moral, portanto, é algo como eqüidistância, pois, como já vimos, seu alvo é o meio termo.”
Nessa visão aristotélica, pode-se afirmar a importância de se buscar o que chama de excelência moral. Existe o excesso, a falta e o meio termo e a excelência moral se situa no meio termo, ou seja, o ponto eqüidistante entre dois vícios: um por falta outro por excesso. Enquanto a supervalorização dos meios de mediação entre homem e natureza caracteriza um vício por excesso, a visão que Zerzan opõe à cultura instrumental e tecnocrata, mostra ser um vício por falta, contudo, um vício. Com esse panorama é notório um ambiente propício à discussão sobre os destinos e posições a serem discutidos e adotados por nós, a sociedade contemporânea.
domingo, 27 de janeiro de 2008
Sobre a predileção pela poesia.
Ante tais concepções, alguns questionamentos surgem de imediato. Não pergunto aos professores de Artes por serem eles os únicos a terem cadeira cativa no céu, por óbvias razoes de estética Renascentista; mas, professores de língua portuguesa, prestem atenção. Uma pessoa oriunda de uma classe social menos favorecida, que trabalha catorze horas por dia, não tem o primor suficientemente elaborado para apreciar uma poesia de qualidade? Para tanto, vou tentar esboçar, com o respaldo teórico de Octávio Paz, em “O Arco e a Lira”, as definições de poema e de poesia, pois, nesse caso, parece ser a confusão para se afirmar tamanho disparate.
Para caracterizar-se um poema, é necessária a métrica, que são as regras da língua do poeta que exprimem o conhecimento da arte da versificação. O autor ainda completa dizendo que o poema é uma obra que envolve um algo a mais. Um soneto elaborado com todos os rigores de uma métrica sofisticada mostra-se como uma belíssima obra sem ser, em si, um poema, contudo, não deixa de ser forma literária – dotada de estrofes, metros e rimas. A poesia é que transformará essa forma literária em poema.
Ah a poesia! Octávio Paz deixa à poesia um status de grau elevadíssimo, em sua célebre definição e distinção entre poema e poesia. Dirigida à sensibilidade, a poesia é a celebração do ser humano que se revela, plenamente, no poema. Pode haver poesia sem poema, em manifestações sem métricas que toca o que o ser humano ainda tem de humano. Fusão perfeita entre forma e substância, o poema é uma estrutura literária que encerra a completude poética.
Imaginem uma banda de punk rock. Os integrantes ao comporem ou selecionarem uma canção, para seu repertório, estarão ocupados em harmonizar o conteúdo poético da canção, com o poema e o arranjo musical. Por serem músicos, normalmente, o aspecto musical vem em primeiro lugar. Jamais esperem de uma Plebe Rude um soneto nos rigores de Camões, natural é de fato uma melodia crua como forma de mostrar sua poesia, depois vem a letra. O mesmo se aplica aos outros gêneros musicais de canções populares.
Então, ao se dizer que a poesia é um privilegio de classe, se afirma também que um sujeito abastado é mais ser humano do que um desfavorecido economicamente. Toda pessoa gosta de poesia, entretanto, se não prefere ver sua revelação plena como no poema, não quer dizer que o gosto dela é inferior ou superior ao de outrem. É apenas diferente. A diversidade artística é a marca de toda sociedade democrática. Não vamos subestimar as preferências artísticas e poéticas por seus gêneros, mas sim por seus conteúdos. Critério de conteúdo seria tão somente qualquer tipo de descriminação social, cultural ou racial. Se não isso... Um brinde à poesia!
domingo, 30 de dezembro de 2007
Idéia acidental.
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"Ulisses: Cada torcida tem o time que merece!!! Eis a diferença do Penta campeão para o rebaixado!!!" diz:
Posso dar parabéns pelo Blog de novo?
Fernanda Lizardo diz:
Risos.
"Ulisses: Cada torcida tem o time que merece!!! Eis a diferença do Penta campeão para o rebaixado!!!" diz:
Então parabéns!
"Ulisses: Cada torcida tem o time que merece!!! Eis a diferença do Penta campeão para o rebaixado!!!" diz:
Sabe que li algo hoje... Aquelas coisas que todo mundo leu, mas a gente ainda não, quando lê, fica abismado...........que me lembrou muito seu Blog.
Fernanda Lizardo diz:
O quê?
"Ulisses: Cada torcida tem o time que merece!!! Eis a diferença do Penta campeão para o rebaixado!!!" diz:
Charles Bukowski.
"Ulisses: Cada torcida tem o time que merece!!! Eis a diferença do Penta campeão para o rebaixado!!!" diz:
Sem rasgação de seda gratuita e desnecessária... Mas parece que foi o velho que leu seu Blog antes de publicar.
Fernanda Lizardo diz:
Nossa quem dera... rs
"Ulisses: Cada torcida tem o time que merece!!! Eis a diferença do Penta campeão para o rebaixado!!!" diz:
Sério. O velho safado fala com mais vírgulas. Pensando... Coisa que seu ultimo post abomina. Então quem se inspirou foi ele
Fernanda Lizardo diz:
Exageros à parte... rs
"Ulisses: Cada torcida tem o time que merece!!! Eis a diferença do Penta campeão para o rebaixado!!!" diz:
Então. A Cooper talvez tenha sido uma amante do velho safado que o estimulou, entre outras coisas, a escrever, em algum rincão perdido dos idos de 73?
Fernanda Lizardo diz:
Talvez ele tenha sonhado com ela.
"Ulisses: Cada torcida tem o time que merece!!! Eis a diferença do Penta campeão para o rebaixado!!!" diz:
Idealizado. Já pensei nesses lances de personagens ideais e concretas. Não sei se seria eu o criador ou a criatura que a personagem se esconderia em alguns de meus momentos... Em bom "literaturês" o heterônimo.
Fernanda Lizardo diz:
Não acho que personagens sejam puramente idealizados
"Ulisses: Cada torcida tem o time que merece!!! Eis a diferença do Penta campeão para o rebaixado!!!" diz:
Por que não seriam?
Fernanda Lizardo diz:
Todos eles são um pedaço do autor... Eles exprimem uma espécie de engasgo do autor.
"Ulisses: Cada torcida tem o time que merece!!! Eis a diferença do Penta campeão para o rebaixado!!!" diz:
O que você chama de "engasgo"?
Fernanda Lizardo diz:
Pode ser um medo. Uma vontade. Um alterego. Uma observação. Só sei que está lá dentro do autor. Por mais diferente que o personagem seja dele, ainda é um pedaço dele.
"Ulisses: Cada torcida tem o time que merece!!! Eis a diferença do Penta campeão para o rebaixado!!!" diz:
Então, tudo que de certa forma existe na imaginação pode vir a ser concreto? Ou é o inverso?
Fernanda Lizardo diz:
As duas formas. A concreticidade às vezes fica só no papel. O personagem nasce no livro e o autor "desengasga"
"Ulisses: Cada torcida tem o time que merece!!! Eis a diferença do Penta campeão para o rebaixado!!!" diz:
Trata-se de um universo paralelo?
Fernanda Lizardo diz:
Não sei se tanto. Eu diria que pontos do inconsciente
"Ulisses: Cada torcida tem o time que merece!!! Eis a diferença do Penta campeão para o rebaixado!!!" diz:
Que já não é mais inconsciente, posto que esteja no papel.
Fernanda Lizardo diz:
Exato.
"Ulisses: Cada torcida tem o time que merece!!! Eis a diferença do Penta campeão para o rebaixado!!!" diz:
Então retomamos o velho conceito de catarse? O êxtase artístico... Aquele que matematiza os visitantes do seu Blog...
Fernanda Lizardo diz:
Talvez... Meu Blog era minha maneira de exorcizar fantasmas... E, de certa forma, ele faz isso em algumas pessoas também.
"Ulisses: Cada torcida tem o time que merece!!! Eis a diferença do Penta campeão para o rebaixado!!!" diz:
Não é mais?
Fernanda Lizardo diz:
Não.
"Ulisses: Cada torcida tem o time que merece!!! Eis a diferença do Penta campeão para o rebaixado!!!" diz:
Então ele tem uma vida prória ou algo parecido?
"Ulisses: Cada torcida tem o time que merece!!! Eis a diferença do Penta campeão para o rebaixado!!!" diz:
Própria.
Fernanda Lizardo diz:
Agora tem
"Ulisses: Cada torcida tem o time que merece!!! Eis a diferença do Penta campeão para o rebaixado!!!" diz:
E como você se sente com essa autonomia de "Frankenstein"?
Fernanda Lizardo diz:
Incrivelmente bem.
"Ulisses: Cada torcida tem o time que merece!!! Eis a diferença do Penta campeão para o rebaixado!!!" diz:
Seria como uma mãe que se orgulha da maioridade do filho? Ou não?
Fernanda Lizardo diz:
Nem tanto
"Ulisses: Cada torcida tem o time que merece!!! Eis a diferença do Penta campeão para o rebaixado!!!" diz:
Ok... Devo estar incomodando demais para um leitor... Mas admiro a capacidade das pessoas em estabelecer autonomias para as coisas que fazem... A mais admirável é essa questão da personagem, posto que nasça de um "engasgo"...
Fernanda Lizardo diz:
No fim, o personagem é só algo que o autor gostaria de ser ou representar, ainda que brevemente.
"Ulisses: Cada torcida tem o time que merece!!! Eis a diferença do Penta campeão para o rebaixado!!!" diz:
Ele não pode querer simplesmente "apresentar"?
Fernanda Lizardo diz:
Não
"Ulisses: Cada torcida tem o time que merece!!! Eis a diferença do Penta campeão para o rebaixado!!!" diz:
Você acha que quando, um exemplo, o Garcia Márquez cria a personagem Úrsula nos "Cem anos de Solidão" ele queria representá-la também?
Fernanda Lizardo diz:
Sim, sem dúvida.
"Ulisses: Cada torcida tem o time que merece!!! Eis a diferença do Penta campeao para o rebaixado!!!" diz:
Adorei o "sem dúvida"... Mas é bom conversar também com uma "personagem". Ela fala muito de como foi criada... Por ela mesma
"Ulisses: Cada torcida tem o time que merece!!! Eis a diferença do Penta campeão para o rebaixado!!!" diz:
Fantástico.
"Ulisses: Cada torcida tem o time que merece!!! Eis a diferença do Penta campeão para o rebaixado!!!" diz:
Meu... Li todo esse diálogo que estabelecemos hoje e achei muito esclarecedor...
Fernanda Lizardo diz:
Em que sentido?
"Ulisses: Cada torcida tem o time que merece!!! Eis a diferença do Penta campeão para o rebaixado!!!" diz:
Na questão da personagem... Sua criação, autonomia e submissão do autor. Mais ou menos isso não é?
Fernanda Lizardo diz:
Por aí
"Ulisses: Cada torcida tem o time que merece!!! Eis a diferença do Penta campeão para o rebaixado!!!" diz:
Então. Eu posso colocar ele no Blog em forma de entrevista? Se você não concordar pode estar tranqüila que não o farei.
Fernanda Lizardo diz:
Pode.
"Ulisses: Cada torcida tem o time que merece!!! Eis a diferença do Penta campeão para o rebaixado!!!" diz:
Ok.
"Ulisses: Cada torcida tem o time que merece!!! Eis a diferença do Penta campeão para o rebaixado!!!" diz:
Obrigado.
"Ulisses: Cada torcida tem o time que merece!!! Eis a diferença do Penta campeão para o rebaixado!!!" diz:
Veio-me a idéia agora... Não foi premeditado...
domingo, 22 de abril de 2007
Sobre as manifestações.
Vemos nas universidades públicas do estado de São Paulo, um indicativo de greve, referente à atitude do governo tucano em impor um gerenciador para o repasse de verba para a educação. O estranho desses acontecimentos é o seguinte: vemos algo que era imoral, o fato de cercear a autonomia da universidade para a administração de suas verbas, tornar-se moral, por uma medida do governo estadual; essa transição do imoral para o moral, foi realizada de forma autoritária, ou seja, desvalorizando princípios elementares da democracia. Contudo, contraditoriamente, a maneira que se pensa em manifestar oposição à ela, é plenamente democrática, posto que as greves são direitos adquiridos e previstos por lei. Ora, se a transição do imoral para o moral foi satisfatoriamente realizada pelos administradores públicos, por vias autoritárias, por que não se pode assumir essa mesma postura na forma de como reagir a tais arbitrariedades? Não estou fazendo apologia ao discurso totalizante nas reivindicações populares, entretanto, temos que pensar uma forma de reclamar diferente das já decrépitas greves. Pôxa vida! No Brasil até o presidente já fez greve! Está mais do que na hora de revermos os conceitos de manifestações, pensando outras vias possíveis de termos nossas vozes reconhecidas pelo estado.
Terça – feira passada, dia dezessete de abril, dentro das manifestações do Abril vermelho do movimento dos trabalhadores sem terra, alguns ativistas ocuparam vinte e cinco praças de pedágio do estado do Paraná. É uma via possível que não a greve? Não creio, pois se trata de atos isolados que partiu da ação rumo à teoria (práxis). Esse tipo de atitude impensada que visa somente aparição na imprensa, tem curto alcance e fortalece o discurso dos opositores do movimento, seja ele qual for. A única coisa que podemos ver de positivo nessas ações é o ineditismo. Posto que já não é mais novidade e que a realidade de sua ação enfraquece as articulações sociais, conclui-se que é um engano insistir nessa qualidade de manifestação.
É notório nos movimentos populares com engajamentos coletivos que reivindicam ao estado democrático de direito, uma porção da propriedade nacional e não direitos trabalhistas e educacionais, um espaço muito fértil para a elaboração de teorias que visem uma via concerta para se abrir um dialogo com o poder instituído. Uma universidade, por exemplo, que paralisa suas atividades em nome de condições de aulas e salariais para seus funcionários, tem mais chance de ver sua voz representada em uma greve. Agora, um sem terra ou um sem teto, vai fazer greve de quê? Para descobrirmos uma teoria que de fato seja compatível com a realidade, tais movimentos propiciam uma discussão muito relevante e profunda. Contemplando idéias que se objetivam na prática, fica mais próximo um ideal coletivo do que pensarmos estritamente para a ação, afinal, os “ismos” do século XX atestam o engessamento que pode ocasionar algo focado tão somente na ação.
Que voltemos então nossas energias para o estudo das grandes idéias que visem a prática, para que essa seja bem justificada e não incorra em repetitivos equívocos. Voltar os olhos somente para a ação pode ser condicionador. Voltar os olhos somente para a teoria pode ser aristocrático. O que fazer então? Começar a pensar já é uma boa escolha!
domingo, 15 de abril de 2007
Policarpos do século XXI.
O dia catorze de abril de dois mil e sete foi importante para a cultura assisense. Foi exibido no cinema municipal o filme Cafundó, dirigido por Paulo Betti, e, no final da exibição, tal diretor veio inundar o auditório do cinema com sua sabedoria cinematográfica. O filme foi estrelado pelo ator Lázaro Ramos, que interpretou o místico João de Camargo, ex escravo que fez a fama de milagreiro na região de Sorocaba; narra a história biográfica desde a infância escravocrata, passando pela lei Áurea, culminando nos milagres atribuídos ao preto velho. Historia essa muito bem contada que, segundo o diretor, teve alguns excertos de ficção. Posto que, o objetivo da filmagem, fosse passar as dificuldades enfrentadas pela tumultuada vida de João de Camargo e seus problemas com a ordem religiosa católica sorocabana, tais metas foram alcançadas. Trata-se de um bom filme histórico.
Depois de uma breve introdução do diretor, antes da projeção, houve um debate sobre o filme ao término do filme. Paulo Betti ressaltou algumas questões sobre a baixa qualidade do áudio da sala. Nesse momento, começaram as discussões sobre a relevância de assistir cinema nacional, como uma forma de valorizar os atores brasileiros que refletem nossa realidade. O diretor assumiu uma postura que fazia apologia às televisões comunitárias como meio de se passar filmes produzidos nas respectivas regiões. Defendia um processo de “capitalização” dos grandes artistas, no sentido deles buscarem carreira nas grandes capitais, pois estaríamos: “Longe demais das capitais”. Disse que uma pessoa havia o procurado com um roteiro de filme e que não tinha condições de levá-lo às vias de fato, pelos impasses materiais. Para solucionar esse problema, sugeriu ao roteirista ir em busca de câmeras digitais, e que na Holanda, havia um festival de cinema somente com roteiros gravados em câmeras de aparelhos celulares. Só não faz cinema quem não quer, resolvendo assim o parêntese aberto no primeiro parágrafo. Idéias brilhantes que nenhum interiorano seria capaz de desenvolver. Sorte a nossa de ter contato com esse tipo de pensamento por meio do diretor, que desceu à plebe com o fim de estimular a atividade artística.
É impressionante a dificuldade que um diretor de cinema tem para divulgar sua arte. Divulgou estatísticas que diziam que das duas mil salas de cinema existentes no Brasil, apenas cinco por cento passam filmes nacionais. Uma vez, quando foi ao festival de Burkina, na urgência de viabilizar recursos para a ida ao continente Africano, teve que angariar recursos com a Rede Globo, que, por sua vez, possibilitou o êxito do empreendimento. Respondeu algumas perguntas feitas pela platéia que, em coros uníssonos de palmas em atrito, tinha sempre a habilidade de interromper o discurso antes de sua conclusão, em virtude de eventuais frases de efeito. Praticamente: “Policarpos do século XXI”.
Findado debate, todos voltaram um tanto mais sábios para casa. Uma verdadeira aula de brasilidade e arte nos tempos atuais. Parabéns aos organizadores!
domingo, 4 de março de 2007
... e o espírito do capitalismo.
Não há nada tão saboroso como os tradicionais “amigos secretos” nos finais de ano. Todas as pessoas que participam de tais festividades, sabem que terão que abraçar dois colegas onde um é anônimo. Está claro o sentido de anônimo, não? Enfim, trata-se de uma tradição quase natalina e comunitária, onde o mais importante é a expectativa do que a premiação em si.
Como não nego convite para entretenimentos dessa envergadura, aceitei participar de um amigo secreto em uma das escolas onde tento trabalhar. Pessoas agradáveis e discursos memoráveis são indícios de algo interessante a se observar, eis o brilhante momento da revelação! No esperado sorteio, acabei por tirar uma professora pela qual tenho demasiado apreço e consideração; contudo, a questão passou a ser qual presente comprar para a colega, resolvida em poucos instantes depois de constatada sua preferência religiosa: o protestantismo.
Que presente comprar? Uma Bíblia Sagrada? Uma camiseta do smilingüido? Para esclarecer melhor as coisas, resolvi ir até uma loja de artigos religiosos, onde poderia ver uma variedade maior de possíveis agrados. Ledo engano. Havia me esquecido de uma das maiores premissas filosóficas: quanto maior a quantidade, mais rigoroso deve ser o critério de especificação; simplificando, me atrapalhei extraordinariamente para conseguir fazer uma boa escolha. Ao recordar o axioma, comecei a aguardar que o critério terminasse de atender outro cliente para que viesse satisfazer minhas dúvidas. Esperei, esperei e esperei. Esperei, saiu a pessoa que estava na minha frente, esperei, esperei...
Um pouco incomodado, percebi que ele não me perguntava: “Pois não?” e isso me causava certa estranheza. Andava em círculos, um tanto inquieto, e nada de me atender. Chegou outra pessoa, ouvi a sintomática pergunta dos vendedores... E não era pra mim. Fiz o exercício de se interpretar dentro de um contexto, eu, cabelos longos, camiseta, bermuda e chinelo dedo. Lamentável! Não há nenhuma chance de querer comprar algo religioso. Eita raciocininho sem jeito!
Comecei a pensar sobre a ética protestante. Ainda bem que a maioria esmagadora, quase unânime, dos protestantes que conheço são pessoas do mais ilibado caráter e consideração pela figura humana. Mas nenhuma delas são comerciantes. Não digo que todos os comerciantes que seguem essa orientação religiosa teriam o mesmo comportamento do colega referido, mas, sem sombra de dúvida, o capitalismo não faz dela uma condição sine qua non.
Comprei o presente em outra loja.